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o dia que tentei encontrar Pepe Mujica

Pepe Mujica talvez seja o nome que a maioria das pessoas pensa quando se fala no Uruguai, verdad?  Não à toa, ele teve e ainda tem, um papel político muito importante (no mundo todo).

Sua história de vida, suas conquistas e, principalmente, seus pensamentos, trouxeram inspirações e mudanças consideráveis mundo afora.

O ex-presidente do Uruguai é o cara responsável por legalizar a cannabis no país, sendo o primeiro do mundo a realizar esse feito e foi o líder de muitas mudanças  para a vanguarda do direito às liberdades individuais no Uruguai.  Ficou preso durante 13 anos durante a ditadura militar, cerca de 7 dos quais viveu em solitária.

Eu, pessoalmente falando, sou apaixonada por suas palavras e tenho uma admiração enorme por sua história. Depois de 3 meses morando no Uruguai, meus entendimentos e conhecimento sobre sua importância ficaram ainda mais fortes.

Por onde passei, as pessoas me contaram coisas sobre seus feitos e sobre sua vida – muitos o consideram um filósofo e não político, muitos não concordam com sua forma de governo, mas admiram seus ideais e por aí vai.

Sendo assim, cada dia que passava eu pensava: cara, imagina conhecer esse senhor, falar com ele e escutar palavras transformadoras?!

INSIGHT

Por que não tentar ir atrás desse sonho? Sempre fui assim: quando quero algo, faço de tudo, vou atrás, tento, tento de novo. E, nesse caso, o “não” eu já tinha. O que eu tinha a perder?

INDO ATRÁS DA INFORMAÇÃO

Todo mundo sabe que ele vive numa chácara, numa área rural. Que escolheu manter uma vida simples, longe dos holofotes, junto à sua esposa (a vice-presidente), seus cachorros, suas plantas e seu fusca azul.Pois bem, dei um Google e encontrei a localização de sua residência.

Também encontrei relatos de pessoas que conseguiram chegar até ele.
Descobri  TUDO que precisava para chegar até lá

A DECISÃO

Agora era só colocar o plano em prática.

Pra começar, decidi que queria fazer algo para entregar a ele, caso conseguisse chegar até lá. Mas, para um senhor de 83 anos, escolhi fazer uma receita saudável: biscoito de banana e aveia, com pitadas de amor e admiração.

Escrevi uma carta de próprio punho e aluguei um carro – porque não sabia que daria para ir de ônibus, mas dá. Heheh

O GRANDE DIA

Era quinta-feira, 24 de janeiro de 2019, quando  saí de casa com o objetivo de encontrar el señor Pepe. Pode parecer que rolou toda uma dinâmica para este encontro acontecer, mas a verdade é que foi muito simples. Decidi ir e fui. Nada como correr atrás dos sonhos. 

Meio descrentes, com o carro alugado, Google Maps na mão, uma cestinha com um bolo de banana sem açúcar, bem natureba, fomos em direção à casa de José Pepe Mujica. Chegamos em um lugar no meio do nada, com estradinhas de terra, animais soltos, casas sem muito conforto. O silêncio era enorme, e o que se ouvia mesmo eram os animais, os passarinhos e uma paz que era difícil de encontrar mesmo.

Quando nos aproximamos da casa do Pepe, vimos uma barreira, bem simples, na entrada da casa. Barreira é um exagero, na verdade, era apenas uma placa de pare e alguns contêineres com alguns “policiais”.

Um deles veio até o carro, contei a nossa história e a resposta foi a de que Pepe não estava recebendo visitas, inclusive acabaram de negar o mesmo a um casal de brasileiros que viajava em uma Kombi.

Sendo assim, pedi para deixar a minha carta e os biscoitinhos. O policial me garantiu que chegaria às mãos de Pepe.
Ok. 

Bom, já que tudo tinha dado errado, paramos para conversar com o casal brazuca. 

Ficamos em frente a um colégio, que inclusive foi construído por Pepe com 90% de seu salário como Presidente. Ali ficamos por um par de horas, com o sol na cabeça, mas curtindo o que virou nosso passeio.

Horas depois, ainda ali, eis que chega mais um casal, são peruanos e estão na mesma busca que a nossa.

LET’S DO SOMETHING, GUYS

Papo vai, papo vem, decidi ir até a casa do vizinho. Sei lá, vai que ele tem mais informações. E de um casebre bem simples, sai um senhor (da idade de Pepe), Álvaro.


Ele me contou que é amigo de Pepe há mais de 30 anos e que ele sempre sai para fumar um tabaco no fim da tarde – porque sua esposa não gosta que ele fume dentro de casa.
Sugeriu que a gente tivesse paciência. Agradeci e voltei pra nossa roda.

Álvaro reapareceu e decidiu ficar com a gente – ele e suas 3 cachorrinhas.
Passei boa parte do meu tempo falando com esse senhor, que já considero um grande amigo hehehe (falamos por whatsapp até agora).

Em certa hora, quando pedi para usar o banheiro (da escola), notamos que mi amigo pegou seu celular e fez uma ligação. Escutei: “Tem um pessoal buena onda do Brasil aqui”. CARISMA É TUDO hahahah
Brincadeiras à parte, graças a essa ligação, eis que nos chamam (depois de mais de 4h de espera ali).

Sim, Pepe vai falar com vocês!

UAAAAATI?

Quando eu ouvi o guarda nos chamando, uma descarga de adrenalina veio no meu corpo inteiro e saímos correndo com a câmera gravando. Quando, finalmente, vi aquele velhinho gente fina e muito muito foda, que parecia meu avô, sentado e esperando a gente para um bate papo, fiquei emocionada.

Lá estava ele, sentado em um toco de madeira, com um tabaco na mão e roupas sujas de terra – e um crocs ❤ que amor!

Achei que a conversa levaria o tempo do cigarro, mas não.
Começamos a falar. Eu, emocionada, falei o quanto o admirava e o quanto suas palavras eram um abraço no coração. Ele, bem humorado, fez piadas e brincadeiras, inclusive quando pedi para dirigir seu fusca azul.
Disse que o fusca só gostava dele!

Durante UMA HORA E MEIA, conversamos com ele sobre o consumo de drogas e outras substâncias, sobre a guerra às drogas, sobre questões ideológicas, sobre América Latina, sobre o Lula, o aborto, a religião, sobre Deus, inteligência artificial, robôs, mundo digital, nova economia e sobre todas as questões que estão acontecendo no Brasil hoje. MAS, MAIS QUE TUDO, FOI SEMPRE UMA CONVERSA SOBRE A LIBERDADE QUE NÓS TEMOS COMO SERES HUMANOS.

Pedi ao policial que me deixasse entregar os biscoitos e a carta para Pepe – inclusive notei que eles tinham comido metade, ou seja, tava bom!
Quando entreguei, Pepe foi muito amável e guardou minha carta no bolso, fazendo sinal de que iria ler.

E sim, posso dizer que nunca aprendi tanto em tão pouco tempo. Saímos todos tocados de tal forma que até hoje estou tentando entender tudo que rolou.

Gente! Saí com a sensação de que minha visão sobre a vida mudou.

Nessas horas, a gente percebe que às vezes realizar nossos sonhos é uma questão de escolha.

Sim, gravamos tudo e vou compartilhando com vocês.

OBS: na hora de me despedir, disse a ele se poderia dar um abraço.
Ele deu um sorriso e disse “obvio”. Foi um abraço que jamais esquecerei,


Gracias, Pepe.
Gracias ❤

Aqui vai o primeiro vídeo da saga, para quem quiser ver esse textão ilustrado ❤

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